Ponto prévio: Um camelo disse-me ao ouvido que aí entrou em vigor o Acordo Ortográfico.
Por mim, peço desculpa mas não me vão ver NUNCA escrever em "Brasileiro". Não por ter nada contra os Brasileiros, mas apenas porque acredito que eles teriam a mesma dificuldade e reagiriam da mesma maneira se tivessem que escrever "à Portuguesa"!
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Muitas vezes, quando nos deparamos ou vivemos uma qualquer situação interessante ou inesperada, a nossa mente tem tendência em fazer paralelos com outras que não tem rigorosamente nada a ver.
Devido às alterações climáticas (penso eu, tomando essa teoria como adquirida), agora, até em zonas onde a água costuma ser um bem escasso e muito apetecido como é aquela onde estou, a dita começou a cair em quantidades nunca dantes navegadas.
Não que essas quantidades sejam comparadas às da Austrália ou do Paquistão.
São mais assim do tipo daquelas fortes bátegas que quando caem em Lisboa, Algés e a zona marginal sofrem um bocado, às vezes não tanto pela chuva, mas mais devido às marés que não deixam escoar.
Quem tiver um bocadinho de tempo, vá ao youtube e busque em "Jeddah floods 2009", Jeddah rain 2010" ou "Jeddah heavy rain 2011" e ficará a perceber a diferença que mais ou menos a mesma quantidade de precipitação pode fazer.
Verão uma versão aumentada da etar de contumil, com a mesma côr e com "gambuzinos" de marca (toyotas, nissans, chevrolets) em fila indiana a caminho do destino final, embora de má vontade, porque vão quase todos de marcha-atrás.
Isto porque no vocabulário dos projectistas de infra-estruturas cá do burgo, as palavras "precipitação", "drenagem" , "linhas de água" etc., eram uma espécie de novo acordo ortográfico para eles.
É claro que as autoridades terão que olhar para o problema como algo com que terão que viver no futuro e terão que deitar mãos a uma obra gigantesca de reformular as infra-estruturas de tão grande cidade para que o problema não regresse todos os anos.
E, quando dou por mim, estou a pensar na mentira desportiva que, a par de muitas outras mentiras que levaram o país para a situação deprimente em que está, ano após ano se vem avolumando e tornando o ar puro que se deveria respirar, até porque se proibiu o fumo em recintos desportivos, numa qualquer mistela pesada e irrespirável, oriunda da já atrás citada etar de contumil e que já cobre o país, do Minho ao Algarve, literalmente!
Tal como aqui, vai ter que obrigatóriamente haver alguém (nem que sejam as uefas ou as fifas) que ponha mão em tão degradado ambiente.
E quem não quiser, que se atire à etar e diga que o "empurrarem"!