Crónica das Arábias (31)

Posted by lawrence On terça-feira, 8 de março de 2011 5 comentários

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A QUADRA
Sonho e realidade
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Já muitas vezes foi comentada a organização e os "timings" da corruptagem.
O contrário seria de espantar já que, como sabemos, as máfias, em organização são (quase) imbatíveis e se algum falha, pôe a integridade das suas rótulas em perigo, pelo menos.
Isto para dizer que, mais uma vez, não falharam no momento de lançar a sua última e definitiva palhaçada no que à actual época desportiva diz respeito.
Exactamente na quadra carnavalesca!
Costumamos dizer que os gajos sonham connosco.
Perdoem-me a fraqueza mas, na noite passada, fui eu que sonhei com eles.
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E vi um corso carnavalesco de um só carro alegórico às voltas ao multiusos do cavalo marinho (multiusos por ser o único estádio de futebol no mundo onde também se joga golfe e curling).
A abrir o desfile, uma enorme quadra de gente vestida de palhaço e onde se podiam ver dirigentes associativos, de clubes e da apitagem, jubilados e ainda não, treinadores e jogadores de 2ª, políticos, paineleiros, junta-letras, etc. etc.
Uma segunda quadra composta por gente anónima, vestida de camelo, não sei se apenas por influência da terra onde estou ou pela minha visão de uma multidão que não dando a cara, muito contribui para manter o sistema.
Logo após, outra quadra repleta de meninas semi-nuas (terá sido feriado nos calores da noite), carregando à cabeça lindas cestas com fruta, chocolates, bilhetes de avião e "vouchers", quais carmens mirandas dos tempos modernos.
Seguidamente, uma grande quantidade de figurantes de pele verde, equipados com as cores da "escola", carregando equipamentos de mergulho, com o pormenor das botijas serem de vidro e estarem cheias de um líquido amarelo em vez de oxigénio.
Bem no meio deles, emergia um figurão de grande nariz, vestido de druída, a remexer num grande e fumarento caldeirão.
A seguir, imponente, um só carro puxado à moda antiga por esforçados bois malhados de preto e amarelo, sem raça nem pedigree.
No palanque, o rei momo sentado no seu trono de mentira, exibindo na cabeça uma coroa em forma de penico e na mão a chave da porta de serviço do inferno, onde a breve trecho se irá juntar aos três pês (pedrotos, pintos e pôncios) desta vida.
Logo por trás do trono, uma dançarina requisitada pelo momo às profundezas da noite, rodando no varão debaixo dos olhares gulosos e alucinados de uma turba desdentada que se fazia notar por não ter cabeça acima dos olhos.
A fechar o cortejo, uma impressionante quadra de gente da justiça, do desporto, da política e dos média que, em uníssono e bem afinados assobiavam para o ar.
Mas o que me fez acordar mesmo é que estas pessoas eram desprovidas de olhos e de ouvidos!
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Não fosse isto, não saberia se estava a sonhar ou acordado!

5 comentários:

benfica até debaixo d'água disse... [Responder]

Lawrence, nunca tiveste tu um sonho mais lúcidos.

Carlos Alberto disse... [Responder]

Acho que o meu caro Lawrence não sonhou, teve uma visão clara e límpida da realidade do futebol português.

saladino disse... [Responder]

Até no pormenor de deixares os últimos com boca,acertaste.Podem não ver nem ouvir,assobiar para o lado,mas enfardam q nem burros nas jantaradas das Galas!

Ricardo Oliveira disse... [Responder]

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Joseph Lemos disse... [Responder]

Creio não ter sido sonho ou uma das tais visões muito comuns nos óasis mas sim a profecia do desfile do fim do pagode corrupto-porkista!

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